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Contramola
Coluna

U2 no Brasil: Ganância, amadorismo e incompetência


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=contramola?param1=cln_contramola011.asp" End If %> O que temos visto, lido e ouvido nos últimos dias sobre a passagem da turnê 'Vertigo', do U2, pelo Brasil tem sido um verdadeiro festival. Com a licença de Sérgio Porto, é uma autêntica reedição do FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País.

Mais do que besteiras, é uma avalanche de ganância, amadorismo e incompetência.

Amadorismo na divulgação. Informações desencontradas, atrasos e até falsas notícias. Seja no valor dos ingressos, na informação sobre os ingressos da Hot Area e datas de shows.

Ganância nos preços dos ingressos. Não adianta falar que a turnê a cara. Todos sabemos. Mas esta mesma turnê tem ingressos mais baratos na Argentina, no Chile e no México. E quando um produtor diz que não é tão caro pois a maioria comprará meia entrada, ele está afirmando que não há meia entrada. Eles usurparam o direito dos estudantes de pagar mais barato, aumentando os preços normais e "mantendo a bilheteria". Prática, aliás, comum a todos os produtores de espetáculos neste país.

O que deve pagar um espetáculo não deve ser sua bilheteria - se assim o fosse, como teríamos o show gratuito dos Rolling Stones no Rio? Os patrocinadores devem arcar com a maior parte dos custos. Gastam dinheiro envolvendo seus nomes mas obtêm muito retorno depois.

Incompetência na venda de ingressos. E ela é fruto também da ganância e do amadorismo. Filas absurdas, venda de lugares na fila, vovôs e vovós 'furando' a fila - com base em uma lei - para comprar ingressos para seus 'netinhos'. É claro que uma coisa levou à outra. E o problema inicial foi a desorganização e baixa capacidade para atender a um público tão grande.

Poucos postos de vendas, poucos guichês e, pasmem, às vezes apenas uma (eu disse uma!) impressora para imprimir os ingressos. E um sistema de computador medíocre. E um site que teimava em não estar disponível.

Fui ao show da banda em 1998 e não passei por nada disso. E o Morumbi estava lotado, nos dois shows. E os preços eram bem mais acessíveis, para uma turnê - Pop Mart - muito mais grandiosa.

Não sou do tipo que critica políticos. Eu critico atitudes, sejam elas de políticos, empresas ou pessoas comuns. Não posso aceitar que, só por ser um evento privado, eu tenha que ficar calado. Não quero ouvir e falar coisas do tipo 'Quem não tem dinheiro que não saia de casa' ou 'Show concorrido sempre tem fila'. Não é esta a questão.

Falo de respeito. Respeito humano e respeito ao consumidor. Ambos foram jogados no lixo por produtores gananciosos, amadores e incompetentes.




Comentários

"Concordo em absolutamente tudo que foi dito nessa matéria.  Desde que fiquei sabendo que essa turnê passaria pelo Brasil fiquei   animadíssima com a possibilidade de passar por  tudo que  passei  em   janeiro de 1998. Foi impecável!  Na ocasião, os ingressos foram distribuídos entre várias lojas da C&A, não  houve tumulto! Mesmo quando os ingressos esgotaram e colocaram aquela "cota  extra" não houve traumas para comprar. Sei  porque comprei meu ingresso  daquela cota.  Isso sem contar nesse absurdo de preços! Estamos pagando por aqueles que  vão assistir ao show dos Stones de graça!  Cheguei até a assinar abaixo assinado tamanha foi minha indignação! Mínino  de R$ 200,00  num país onde o salário mínino é de R$ 300,00!!!  Achei absurdo comentários do tipo "vai quem pode"! O show é para todos os  fãs ou só para fãs ricos???  Enfim, nem sei mais o que dizer, mas fica registrado o protesto.   Agradeço a oportunidade de poder compartilhar minha indignação."

Carolina Gomes - São Paulo



Henrique Martins

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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