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Da Garagem

Punk is Dead?


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=dagaragem¶m1=cln_dagaragem002.asp" End If %> Punks not dead. (????) O espírito Punk morreu? Não existe mais aquele fenômeno de contra-cultura e vontade de romper com os padrões e as chatices do mundo? Na verdade a ausência daquele sentimento adolescente (que ainda existe em gente na casa dos 30 anos), começou a se deteriorar na segunda metade dos anos 90. O Punk como movimento começou a dar mostras de diluição depois da morte de Kurt Cobain, que talvez tenha sido o último dos "moicanos" deste gênero. Grunge foi apenas um nome que algum espertinho da mídia inventou de última hora para definir o novo Punk.

É verdade que o Punk nasceu dos cérebros capitalistas de Malcon Mclaren e de Vivienne Westwood, mas também é verdade que a "moda" da vestimenta punk e da música punk foram cooptadas das ruas (e não criadas a partir do nada) através de vagabundos que eles pegaram como exemplos, como John Lydon (ou Johhny Rotten, que mais tarde fez parte dos Sex Pistols). Portanto, o "Punk" nasceu de uma armação do próprio Malcon. Mas vamos desmistificar um pouco essa coisa de dizer que o "movimento Punk nunca existiu".

Depois da "grande idéia" de Malcon, as coisas começaram a tomar proporções que nem ele imaginava. A classe proletária (jovem) inglesa se identificou com o estilo das novas levas de bandas que começaram a fazer músicas primando pela crueza e falta de técnica (Ska / Two Tone e Hardcore), já que os mesmos não sabiam tocar e não pagavam escolas de músicas como os filhos dos ricos.

As músicas também representavam um grande "NÃO" ao que estava vigente na época, a "malice" de grupos de Rock como Yes, Genesis, Pink Floyd e outros, que mais tarde chamariam de Progressivo. Essas bandas eram integradas por estudantes de música que podiam pagar pelo conhecimento, diferentemente da classe proletária. Além disso, estes últimos faziam questão de mostrar sua diferença. Era o grito suburbano contra o grande poder, contra a música dos ricos burgueses, dos chatos, dos velhos. Os jovens progressistas eram considerados velhos pelos Punks, por estarem se encaixando no esquema da geração de seus avós que consequentemente, chamavam o rock dos anos 50/60 de música pobre.

Isso era o pensamento vigente (por volta de 1976/77). Nessa época pós-hippie, o Punk era totalmente underground na Inglaterra, nem tinha as proporções de mídia como o conhecemos hoje. Esse pensamento era totalmente natural, já que um gênero sempre tenta contradizer o anterior desde a época de movimentos como Classicismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo etc... Um sempre contradizendo o outro. Uma geração sempre tende a esmagar a outra, como já dizia Morrisey (Smiths).

No Brasil, a coisa sempre toma um rumo pitoresco devido a falta de informação e por sua cultura heterogênea. Depois da explosão do Brock (ou Rock Brasileiro vindo de Brasília, inspirado pelo Punk inglês), por volta de 1986, o movimento Punk chega aqui com atraso de 10 anos (graças a nossa ditadura).

Começam pipocar "Punks" de todos os lados, principalmente em São Paulo. Havia uma verdadeira guerra de sons entre os chamados "Funções", geralmente da raça negra que gostavam de roubar os tênis dos boyzinhos. Estes sempre entravam na última onda e gostavam de todas as modas bestas que apareciam. Os "Punks" mais radicais, que absorveram de modo errôneo o sentido do movimento, entendiam que ser Punk era cuspir, quebrar e estigmatizar quem não se encaixava em seu estilo. Não era bem isso, tanto é que os mais radicais sumiram, ou estão em um número bem reduzido atualmente.

Chegaram os chatos e politicamente corretos anos 90, onde ninguém pode falar mal livremente de ninguém e não pode haver perseguição devido ao estilo - perdeu-se um pouco a graça, tudo começou a se diluir e ficar chato novamente. Os Punks sobreviventes (que falavam e cantavam e não quebravam), se tornaram velhinhos (o Clemente dos Inocentes hoje é quarentão), casaram, fizeram família, etc. O único que sobrou mesmo foi o João Gordo, que virou uma espécie de Punk cooptado, se encaixando no esquemão da MTV. Mesmo assim, conservou seu lado mais barra-pesada e, afinal, foi a mídia que mudou, não ele!

A geração pós-Bozo que cresceu vendo e ouvindo o monstro Xuxa, mas que depois se tocou quando completaram 14 anos, começou a curtir os vários estilos de Rock consagrados. Essa é a turma que não tem preconceito com relação ao estilo de Rock (com exceções claro), portanto gostam de Yes e Ramones ao mesmo tempo (quem diria que isso aconteceria!).

Pouco depois veio a geração "convenção", contrária à geração Coca-Cola que ia "cuspir o lixo em cima deles", como cantava o maravilhoso Renato Russo. Essa é a geração que curte "pagode" e "axézinho" e se acham brasileiros originais, porque saíram da favela e ficaram famosos, mas têm cérebro de tatu.

Mas ainda existe aquele bom e velho espírito (do contra) escondido por aí, nas garagens! Faz-se necessário uma renovação desse espírito! As coisas estão muito insossas por aqui! Ninguém grita mais a verdade? Ninguém diz que o que está tocando nas rádios e passando na TV é uma grande porcaria? Que esse "paz e amor" declarado entre os gêneros musicais é falso?

O politicamente correto não existe e a geração vindoura será a mais incorreta possível, acreditem! Que seja bem vinda pois a última (cujos indivíduos estão com 15 à 20 anos hoje) morreu, falhou, entrou em uma inércia inescapável! Vivem repetindo o que o papagaio do passado fala. Quando entram na faculdade, dizem para eles que Chico, Caetano e Gil são bons. Daí entram num cabecismo sem saída. Ok, eles até podiam ser bons. Beehtoven também era. Mas se ficassem com medo de inovar ninguém teria saído do século XV! Ao mesmo tempo, essa geração vive produzindo de um lado e comprando de outro Kelly Keys, Sandy e Júniors e por aí vai! Até a Babi tá fazendo CD! E tem gente que compra! Deus nos salve!

Para finalizar, Supla! Pobre rapaz, ele quis ser Punk, tinha boa intenção, mas nasceu rico, copiou o Billy "Butique" Idol - que também tentou ser Punk. Ele esqueceu que Os Replicantes vieram antes e cantaram "Ele quer ser Punk!" e "Já briguei com Chico, já pequei no pé do Gil... Eu quero que o Caetano..." Perto disso, com sua "Japa Girl" ele perde feio e de Punk, fica só o visual criado por Vivienne Westwood.

Punk é mais do que isso!

Punk é falar o que não querem ouvir!


Alexandre Halliday é músico e membro do grupo Efeito Garage.
Visite o site da banda em www.efeitogarage.com.br.



Alexandre Halliday

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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