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Da Garagem

Esperança desesperançada


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=dagaragem¶m1=cln_dagaragem007.asp" End If %> Estive lendo um artigo do sócio diretor Álvaro de Castro da Kviar Music, uma gravadora virtual (só da Internet), sobre a questão da revolução pelo qual o meio musical e as gravadoras estão passando. Tudo que ele escreveu é a mais pura realidade e até sugiro que leiam. O texto é sobre a questão de que o público deverá ser reensinado a ouvir música e abandonar o atual modelo de só procurar o que se escuta na rádio. Utopia?

O "buraco" é mais embaixo... Esse processo levará um longo tempo e tenho quase toda certeza, não será no tempo de uma vida que as coisas mudarão (inclusive no tempo da minha, infelizmente). Isso me leva a concluir que não podemos nós, bandas independentes, esperar tanto, se é que isso acontecerá. Somos uma geração que está enfrentando uma transição, uma mudança radical no mercado fonográfico. Revolução que está se revelando bem diante de nossos olhos. E sabe o que é pior? Nós é que temos de reinventar tudo!!

A conclusão a que se chega ao ler o artigo é que nós, como banda (no caso da minha, Efeito Garage), chegamos há pouco tempo atrás. Devemos ser cada vez mais independentes, criarmos nossas próprias gravadoras ou selos, transformarmo-nos em empresas para vender nosso peixe sem interferência externa. Imagine se toda banda resolver fazer isso! O lado ruim da coisa é a necessidade de tempo e dinheiro para se montar tudo isso. Em uma banda "normal", que não tem grana, como a nossa por exemplo, todos os integrantes precisam trabalhar em outras coisas para sobreviverem. Ou seja, que tempo sobra para desenvolver, criar músicas, que é nossa matéria prima, além de tomar conta da mídia da própria banda?

Claro que por um lado, toda essa dificuldade nos inspira. Já chegamos até a criar músicas na cabeça e enviarmos uns para os outros por e-mail! Acredite se quiser... Mas no final, temos de nos desdobrar nos finais de semana para por tudo em ordem com relação às melodias.

O que estou tentando dizer é que, ser um músico, trabalhador e empresário ao mesmo tempo é difícil, e assim ficamos a mercê de concorrermos com pessoas que tem mais tempo, dinheiro e contatos do que nós.

Tá, tudo bem, vocês dirão que nós só nos lamentamos e não nos mexemos, e contamos lamúrias!! Mas não é isso. Uma banda independente como a nossa com sete anos de estrada e mais nove de cada integrante em outras bandas, já passou desta fase de lamúrias. Já vivemos um tipo de Esperança Desesperançada. O que é isso? É o pensamento: "Vamos tentar, vamos mandar nosso material, vamos tocar, vamos divulgar. Se acontecer, bem, se não, temos história para contar para os filhos". E ponto.

Nunca desistir, sempre tentar novas alternativas de divulgação, seja fazendo clipes caseiros e mandando para a MTV (como fizemos agora com o novo programa 'Sonora MTV'), seja desenvolvendo nossas demos em casa com CDs comprados na Santa Ifigênia [rua de São Paulo (SP) que reúne várias lojas de informática e eletrônicos, n.e.] e enviando-as para as gravadoras. Promovendo os próprios shows, chorando para as rádios piratas tocarem e para as oficiais abrirem um espaço em programas de domingo às 23:30h - quando todo mundo está assistindo o Fantástico. E claro, divulgando na Internet e apelando para gravadoras virtuais... E por aí vai...

A conclusão a que cheguei ao ler o artigo é que as bandas independentes devem ter frieza, almejar o sucesso, mas sem desespero. Se acontecer, que seja algo que se possa manter. Explodir ou estourar ou bombar nas paradas de sucesso é o de menor importância. Devem ter esperança sim, mas uma esperança desesperançada (no bom sentido), livre de qualquer ansiedade, de qualquer pavor por sucesso e dinheiro. Fazer música por vontade e se alguém mais gostar e algum destes indivíduos for influente, ótimo; vamos para a segunda etapa, tentar manter a carreira. Isto feito, cada integrante deve montar um negócio próprio para a vida pós-queda (que pode acontecer).

Agora, se nada disso ocorrer, deve-se continuar do mesmo jeito, fazendo músicas apenas e guardando na gaveta para, quem sabe um dia, depois de bater as botas, alguém no futuro dizer: "Nossa! Como eles eram bons!! Porque ninguém descobriu?" E já está bom.

É difícil...



Alexandre Halliday é músico e membro do grupo Efeito Garage.
Visite o site da banda em www.efeitogarage.com.br.



Alexandre Halliday

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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