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Da Garagem

Rock - Revolução Constante


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=dagaragem¶m1=cln_dagaragem008.asp" End If %> Quando pensamos que a mesmice e a pasmaceira estão dominando, que a indústria fonográfica está cada vez mais ignorante, acontecem certas novidades que acabam deslumbrando e impressionando. Fico pensando como e porque são lançados certos artistas verdadeiros e outros não... Ou a mídia é inteligente demais ou eu que sou meio burro. Porque "eles" lançam artistas tão medíocres e sem nexo e às vezes (eu disse às vezes, de vez em quando, quase nunca...) lançam artistas que parecem mostrar uma luz no fim do túnel, uma esperança de que ainda existe inteligência por aí, só não deixam aparecer... Ou será que estou julgando errado e a grande maioria dos artistas é que é medíocre e quando a indústria fonográfica percebe uma genialidade não perde tempo e investe imediatamente? Mistérios...

Vendo o quadro atual, ouvindo bandas como White Stripes, Hives, Strokes, a luz parece estar ali. Senti a mesma coisa quando vi o (nos anos 80) Cure, Smiths, U2, INXS, Midnight Oil (este nos 90), Blondie nos anos 70 (grande Debby Harry!) Até mesmo os atuais barulhentos do System of a Down parecem ter um fulgor resplandecente em suas composições! Quem não fica eletrizado com o vocalista do Hives gritando e apontando o dedo na sua cara dizendo "Hate to say I told you sooooo!"

Esse sentimento a que me refiro é um tipo de fúria juvenil, a mesma despertada por Kurt Kobain do Nirvana em 93. É aquela sensação de novidade, de coisa legal, "cool" como dizem lá fora. Uma vez, li uma reportagem que dizia que Jack White do White Stripes era o roqueiro mais "cool" do momento. Concordo e digo mais, quando o Jesus & the Mary Chain apareceu na extinta revista Bizz, em 1986/87, a crítica dizia a mesma coisa. Ainda lembro das palavras: "Garotos de 20 anos, românticos decepcionados, de cabelos milimetricamente descabelados, a banda mais cool do momento". Mas o que é isso afinal?

Vou explicar. É aquela sensação que só uma mente jovem pode perceber. Aquela admiração de quando vê/ouve alguma banda pela primeira vez e você diz a si mesmo no sofá de sua casa quando está prestando atenção e é transportado para um mundo louco, distante, imaginário: "Nossa, que barato, muito legal, genial!!! Incrível!" O deslumbramento em nossa alma da música que está sendo interpretada - o que nós músicos chamamos de "foi feliz", ou seja, o artista foi feliz naquela música, ou acertou aquele jeito sei lá. É como se apaixonar pela mina mais bonita da escola, acho que esse é o comparativo melhor. Não sei se é um acorde perfeito, um riff de guitarra marcante, o jeito dos integrantes da banda se portarem, uma dança ou um trejeito deles, as roupas. Talvez seja tudo isso junto.

White Stripes, Strokes, Cure, Finis Africae (lembram deles da música 'Armadilha'?) transparecem isso, algo que muitas bandas não conseguem passar. Não é só a música em si, mas tudo o que ela faz com que se transforme. O porquê do ser legal está aí. Não entendeu? É claro que não, porque lendo não se pode ter idéia do que vai no sentimento, dos ouvidos para a alma. Só posso aconselhar: escutem, prestem atenção! Ouçam o primeiro riff de guitarra/baixo da música 'Seven Nation Army' do CD 'Elephant' do White Stripes (tem até clipe na MTV) e vão sacar do que estou falando. Aquele mistério, a sensação do que virá depois, a entrada da guitarra, a voz esganiçada tipo "não tô nem aí pra afinação" (mas proposital, claro).

Por isso a minha pergunta. Por quê às vezes a mídia acerta, e estas maravilhas afloram? Não sei, mas dou graças a Deus por ainda acontecer. Porque nossos ouvidos não são pinico e alguma coisa boa tem que sobrar no meio de tanto lixo, é só procurar e prestar atenção.

Não estou dizendo que eles são algo do tipo "a salvação do rock". Prá mim isso não existe, a salvação está por aí, constantemente, acontecendo. Basta saber escolher. É como ir na feira e achar tomates podres e bons. Eu escolhi os bons. Agora, cada um tem o seu conceito de bom. Fazer o quê?!?

Mas uma coisa afirmo, se a indústria fonográfica megera - digo a grande indústria, a que explora, que lança "artistas" em quantidade e pouca qualidade -, se ela não tomar cuidado, os pequenos selos e as bandas independentes vão fazer a festa. E essa revolução já começou. Certeza! Basta no Brasil o computador se popularizar, as pessoas terem mais acesso à internet, baixarem as próprias músicas. Aí a cobra vai fumar. E muito mais artistas "cool" irão aparecer.

Rezemos a São David Bowie!! Que assim seja! Amém.



Alexandre Halliday é músico e membro do grupo Efeito Garage.
Visite o site da banda em www.efeitogarage.com.br.



Alexandre Halliday

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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