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Da Garagem

Os bons tempos voltaram!


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=dagaragem&arquivo=cln_dagaragem011.asp" End If %> Nem só de música vive o submundo, além de sons desprezados e de bandas desconhecidas existe algo além que acho interessante revelar aqui na coluna Da Garagem, porque gosto de chamar a atenção sobre tudo que não é óbvio e que geralmente não damos a devida importância.

No caso, quero falar de um desenho animado. Isso mesmo, um cartoon, como é mais comumente chamado hoje em dia. Um indivíduo como eu que foi adolescente dos anos 80 e a infância iniciada no início dos 70, não tem como não ter influência da TV e, principalmente, dos desenhos. Trago este assunto em questão porque muitos reclamam que os desenhos de hoje em dia não tem conteúdo, existe violência explícita demais, etc, etc. Aquele velho papo.

Isso é verdade, existem muitos desenhos que parecem não ter muito sentido na violência, mas é porque não tem uma boa explicação para ela, não tem uma história para justificar o quebra pau, como havia nos bons tempos de Fantomas, Ultraman, Speed Racer.

Agora parem de reclamar! E prestem atenção em um desenho que não está tão escondido assim porque passa todas as manhãs no SBT. Só agora, porque antes era apenas no cabo (Cartoon Network). Como sempre eu de novo garimpando e tentando achar um oásis neste deserto imenso que são os anos 2000.

Chega de ladainha, o desenho é o 'Samujai Jack'. Isso mesmo! Besta? Mal desenhado? Sim, é verdade que o traço de Gene Tartovsky (o mesmo de 'Laboratório de Dexter') não preza pela beleza, mas tente assistir aos episódios. A magia está lá, a velha magia de desenhos como 'A Princesa e o Cavaleiro', 'Sawamu, o Demolidor' e por aí vai. Sem deixar de ter um gosto de atual, de anos 2000. É isso aí! Assim que deve ser!

Existe conteúdo nas aventuras hilárias e ao mesmo tempo sérias que passam uma mensagem de honra, ideal, destino. Jack é um cara que foi jogado através do tempo para não haver possibilidade de acabar com o mal de Abu (o demônio). Até aí, tudo igual aos outros. A diferença está na forma de lidar com o conflito. O mal de Abu não está em simplesmente conquistar o mundo e derrotar o inimigo com luta. O mal de Abu é a perseguição, a insistência em perturbar um ser que contradiz a personalidade do antagonista. Jack é condenado a tentar achar a volta para sua casa e diversas vezes tem de abrir mão quando está quase conseguindo, porque Abu lhe prega uma peça, assim como a vida faz conosco. Assim como achamos que o Diabo age. Não apenas tentando a velha bobagem de "dominar o mundo" - que hoje já não tem mais graça; muita gente já dominou, até o Saddan e o Bush. Atualmente, a maldade está em fazer os outros sofrerem, e o desenho - não sei se numa sacada genial do autor ou pura e simples coincidência - consegue mostrar isso. O que isso tem haver com o underground? Ora, mais uma vez mostra o quanto os nossos programadores de TV não sabem as pérolas que tem nas mãos.

Logo Samurai Jack irá sair fora do ar, assim como aconteceu com 'Smalville' que, antes da conclusão final, parou de passar, sem nenhuma explicação, em uma tremenda falta de respeito com os telespectadores.

O underground está aí, bem na sua frente, basta procurar, reconhecer, não necessariamente está escondido, às vezes sem querer consegue minutos de fama em um acaso incrível. Comparo estes desenhos às bandas que conseguem ser "pop" sem estragar, tais como U2, Cure, Smiths. Estão por aí, fáceis de serem ouvidas, basta procurar. Mas se você não entender a mensagem, vai passar despercebido! E assim continuará achando que esse mundo está perdido!

E está mesmo, mas talvez, nem tanto!


Alexandre Halliday é músico e membro do grupo Efeito Garage.
Visite o site da banda em www.efeitogarage.com.br.



Alexandre Halliday

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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