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Da Garagem

O Circo Darkness


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=dagaragem&arquivo=cln_dagaragem013.asp" End If %> Ressspeitááável públicooo!! Com vocês um show de malabarismos, contorcionismos e palhaçadas! Tudo em um só pacote! Agora com vocês, a pretensa banda de 'rock' Darkness!

É assim que deveria ser toda a apresentação de bandas do rock 'farofa' como é comumente chamado esse estilo circense.

O mais interessante: como, no novo milênio, ainda existem pessoas que comprem a idéia, vão aos shows, compram os discos? Será que tentam se vestir igual também??!?!? Tudo bem, não vou entrar aqui novamente na velha ladainha de que "quem consome é descabeçado", é o "americano médio que mora em Los Angeles, tem grana e não está nem aí para problemas sociais", como a fome e a miséria que estão ao redor do mundo etc e tal. Isso é papo pro Bono do U2.

Certo, nem todo mundo é obrigado a viver essa realidade, vamos deixar de lado isso. Mas, por mais que seja apolítico, deveria ser menos pomposo e espalhafatoso! A idéia de bandas que possuem vocalistas que gritam usando falsete, com calças coladas à la David Lee Roth (Van Hallen), fazendo caras e bocas e se contorcendo no palco como uma cobra, já era. Não cola mais depois que as drag queens dominaram o planeta. Soa até como ofensa a estas, pois elas pelo menos são originais no que fazem e não tentam vender o produto para os pretensos heterossexuais metidos a sensual. Até a banda alternativa Yo La Tengo fez um clipe tirando um sarro dessa 'Escola de Rock'. Aliás assistam ao filme, é muito bom e ensina.

Essa galera parece simplesmente não acompanhar a evolução do fluxo musical, dos estilos, da mentalidade atual, ficam retomando uma coisa que já era "macacada" no tempo de Skid Row, Poison, Twisted Sisters, Kiss. Até o Queen já deu uma de drag (que diga Fred Mercury)! Era até engraçado naquela época. Era. Veja bem: ERA! Até Sigue Sigue Sputnik, a versão punk para este estilo, colou! Mas hoje?? Ah! Por favor...

Tempo presente, era do techno, a eletrônica domina a cena, aparecem os primeiros tecno-punks, surgiram Atari Teenage Riot, com sua porrada eletrônica sonora e descerebrada; Gwar e as caricaturas de monstros; Slipknot e suas nojeiras. Perto deles, Darkness parece uma lembrança da infância quando o papai levava a gente pra assistir o circo Tihani. Parecia legal, mas depois que se cresce, é tão sem graça que nos perguntamos "por quê se gostava daquilo??!!!" É como assistir ao 'Elo Perdido' em tempos de 'Jurassic Park'. (Para quem tem menos de 25 anos, o 'Elo Perdido' era um seriado sobre dinossauros, feitos com bonecos em Super 8, fotografado quadro a quadro, bem rudimentar para os tempos atuais).

Trejeitos, cabelos laqueados ao vento, roupas coladas de zebrinha, caras e bocas diante das câmeras. Será que a mulherada (nova) ainda se convence com isso? Ou todo mundo é inteligente e está ali para participar da grande celebração circense? Bem, pra quem veio da escola punk de qualidade, música não pode ser só e unicamente diversão, tem de ser diversão com instrução, uma pitada de anticonvencionalismo à la Ramones, vontade de ir contra tudo e mandar o mundo para aquele lugar!

Para as gravadoras, Darkness é um prato cheio, porque se tem gente pra comprar. Já sabem. Agora, porque raios eles insistem nesse nome? O que há de tão 'escuro' e 'depressivo' perto de por exemplo, Ian Curtis do Joy Division! Nada, apenas jogada de marketing. Afinal, o gótico com temas sombrios já foi cooptado, deu o que tinha de dar. Mas com um nome assim, eles podem pegar a galerinha nova que anseia pelas tristezas e temas sombrios, desavisados a quem ainda não foi apresentada os verdadeiros clássicos da dita escuridão.

Galerinha do novo milênio! Abram os olhos! Não comprem gato por lebre! Se querem achar a escuridão, procurem nos porões das garagens, não nos palcos de arena. Como vampiros, vocês ficarão procurando pelo aconchegante frio e sombras, mas encontrarão luz e o pior, CARNAVAL! Arrrrgggghhhhhhhhhhh!

Alexandre Halliday é músico e membro do grupo Efeito Garage.
Visite o site da banda em www.efeitogarage.com.br.



Alexandre Halliday

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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