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Da Garagem

Todo mundo tem espaço agora. E daí?


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=dagaragem&arquivo=cln_dagaragem018.asp" End If %> A Internet mudou o mundo. Agora, até aquele ilustre desconhecido - aliás, 99,99% da população global - pode ter um espacinho na Internet, seja com uma página, um blog, participando de chats, de Orkuts, mandando e-mails, etc. Ninguém mais pode reclamar que não tem vez. Todos tem lugar ao sol e o mundo pode saber quem você é. Agora sim somos todos iguais e o acesso pela Internet garante que a sua, a minha, a nossa banda, grupo de teatro, ator/atriz seja conhecido e reconhecido mesmo que não esteja na grande mídia certo?!? ERRADO!!

Como tudo o que é novo implica em ilusão, a Internet não poderia ser diferente, apesar de ter democratizado mais. Mas e daí?!? O que vemos é um mar de pessoas/bandas/coisas jogadas na rede em alguma www.desconhecido.seilaonde. Ou seja, agora a briga deve ser pelo destaque. Como diria o Lobão, e tinha razão... "Quem não se desloca não tem preferência!" Assim, se você não estiver em uma pontocom CONHECIDA, não adianta nada. Por mais que você coloque em sites de busca, quem é que vai saber o seu nome ou da sua banda que nunca ninguém nem ouviu falar em qualquer rádio ou TV? Ainda mais com aqueles nomes esdrúxulos que as bandas teimam em inventar e que não facilitam em nada.

A menos que seja por acaso ou porque alguma parte da palavra tenha relação com a procura do usuário, ninguém vai adivinhar por exemplo que a minha banda se chama Efeito Garage. O que estou querendo dizer é que a Internet proporcionou abertura sim, mas só.

Existem tantas bandas, tantos nomes, que às vezes parecemos estarmos nos afogando em excesso de informação e não conseguimos guardar bem os nomes ou relacionar que obra pertence a que artista. Estou querendo retroagir? Voltar ao funil? Claro que não, mas o que estou tentando dizer é que tudo em excesso tem uma conseqüência inevitável.

Por enquanto, a Net não permite que se crie ainda comentários do tipo "Pôxa! Você viu aquela nova banda na Internet, no site tal?" ou "Você viu o novo filme no site da Fox?" Quer dizer, não existe um cnaal comum que alguém possa se destacar. É o preço da democracia! Quanto mais quantidade de pessoas, menos tempo de exposição e menos atenção consegue chamar!

Está muito longe ainda da Internet ter o poder de derrubar qualquer rede de televisão porque não "obriga" (no bom sentido) ninguém a assistir um canal. As pessoas é que escolhem. Isso não é ruim, mas ao mesmo tempo não destaca ninguém, a não ser que esteja em um banner na primeira página do Google, ou do IG, do Terra, etc. Por quê? Ora, porque todos eles tem propaganda na TV e no rádio, ou seja, não há como escapar, tudo cai no mesmo problema. Enquanto não existir educação e as pessoas não pensarem por si mesmas, a grande mídia continuará cercando e restringindo os veículos de comunicação, mesmo que indiretamente. Esperemos que as redes evoluam e o acesso rápido se torne mais comum permitindo que TVs e rádios via Internet se popularizem. Mas aí é claro que as grandes corporações tomarão conta e invadirão, pois tem muito mais dinheiro, e logo tomarão providências para que o espaço não seja tão democrático assim.

Resumo da ópera: mudarão as moscas mas o cheiro continuará o mesmo! Sim, porque enquanto houver egoísmo e concorrência por audiência, o underground sempre vai existir como conseqüência da má distribuição de liberdade. Hoje, para se ter como transmitir uma rádio ou canal de TV, precisa-se de concessão. Vocês acreditam mesmo que não criarão a mesma coisa para a internet?!

Só o tempo dirá...Aguardemos!!


Alexandre Halliday é músico e membro do grupo Efeito Garage.
Visite o site da banda em www.efeitogarage.com.br.



Alexandre Halliday

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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