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DR Rock
Coluna

Os new-Menudos


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=drrock¶m1=cln_drrock002.asp" End If %> Twister, KLB, Backstreet Boys, Hansom… é uma invasão!!!!!!

Desde tempos imemoriais as fêmeas assistem à dança do acasalamento dos machos. A sociedade moderna satisfaz essa necessidade da côrte em escala industrial. Hoje em dia, observamos a dança feita não mais para a fêmea escolhida, mas para satisfazer (ou melhor, instigar) o desejo e a necessidade de ser cortejada.

Talvez este artigo não devesse estar numa revista de música. Afinal, o que importa neste caso não é a música, nem a dança, mas o marketing e a longevidade de uma fórmula.

A música, diga-se de passagem, é ótima, completamente adequada ao público. Eu sei que vão me malhar por isso (a patroa acabou de dizer que vão me matar), mas é muita hipocrisia querer negar. Outro dia vi na TV a turma dos "Backstreet Boys" e fiquei impressionado naqueles poucos segundos com a qualidade do espetáculo. Aliás, a música nem poderia deixar de ser boa, dado o vulto da coisa. Qualquer que seja o conteúdo ele vem sempre muito bem apresentado numa orquestração de primeira, como bem comentou o meu professor de canto.

Não estou dizendo que eles sejam a nova fronteira artística. De modo algum, eles aliás destilam o óbvio. Apenas reconheço a competência com que cumprem a sua missão, que é a de encantar a audiência, que é bem específica, embora em número considerável.

O profissionalismo é marcante quando se observa o quão ensaiados são os números e como cada apresentação é encarada como um grande espetáculo, que é. Enfim, são provavelmente grupos muito bem orientados e assessorados, que se apresentam em grande estilo e de modo aparentemente impecável. Suas aparições em programas de grande audiência do mundo todo garante a divulgação para a grande massa, fazendo de cada um, em seu auge, um "must" para toda um segmento da população. Nota dez, nada a criticar. São os grupos de outros estilos que deviam encarar a sua missão com o mesmo profissionalismo, afinal isto é um grande negócio.

E que negócio!!!! Este é, sem dúvida um dos melhores filões mercadológicos para produtoras e gravadoras. Em primeiro lugar há sempre uma legião de meninas ansiosas por ídolos juvenis. Depois, mesmo com o consumo de cada banda - que é rápido como a adolescência (às vezes, até mais) - a tecnologia de produção do grupo e dos espetáculos, às vezes, a marca se mantém. Existem grandes economias de escala envolvidas, e uma demanda que pode atingir uma razoável regularidade com a adequada administração de lançamentos (tanto de álbuns e shows como de bandas novas).

A concorrência é feroz, mas há nichos para todos. Vejam o caso dos grupos nacionais. A política de substituição de importações não acabou… o consumidor local também é exigente, e pode dar preferência a produtos personalizados, adequados ao paladar nacional.

O ponto mais relevante nesta história é que, aparentemente, esta é uma formula inesgotável. As novas gerações de meninas serão sempre encantadas por novos grupos de garotos, cada qual correspondendo aos ideais da época vigente. Vejam só a evolução do visual desde os Menudos, até o estilo pós-grunge pasteurizado dos grupos atuais. Pensando bem, os Beatles e os Beach Boys… não, melhor não pensar nisso!

Depois do consumo da imagem, os grupos vão se decompondo com a saída dos mais velhos e as tentativas de viabilizar as carreiras solo. Um exemplo de sucesso é Rick Martin (ex-Menudo), que conseguiu se firmar individualmente. Os que tiverem sucesso a longo prazo acabarão suas carreiras como os Julio Iglesias do futuro, voltados para platéias mais maduras - na verdade, acompanhando o seu próprio público ao longo do tempo (nunca pensei que os conceitos de velocidade de Euler e de Lagrange me seriam úteis para escrever, especialmente numa revista de música). Confessem meninas, vocês já tietavam o Rick Martin desde o tempo dos Menudos. É capaz até que os que perdurem criem algo original ao longo do percurso.

Nós, roqueiros românticos, fãs de Zappa, Beatles e de todos os clássicos, temos de reconhecer que há um mercado lá fora, pois mesmo os grandes mestres o fizeram. A ilusão de que só o originalismo, a autenticidade e a qualidade fazem dum produto um sucesso tem de ser desmacarada a todo custo (o MacIntosh em que escrevo que o diga, neste mundo de Windows). Os músicos devem servir às pessoas tal como os outros artistas o fazem, ou conformar-se com o onanismo espiritual. Vejam como o George Bensom, que poduz pop dos mais consumíveis e ocasionalmente publica a sua verdadeira arte.

Magos são os que conseguem conciliar as duas coisas - homenagem do dia ao Jorge Benjor, Crioulo Rei, e ao eterno síndico, o saudoso Tim Maia.

Dicas da quinzena (só pra "purificar" a coluna): confiram o CD de coletânea 'The Best of Bill Evans On Verve', que é simplesmente um luxo, e a recém lançada coleção de 5 CDs interativos 'Três na Bossa' (com produção de Roberto Menescal e textos de Ruy Castro). Cada CD tem uma faixa interativa, um estouro (tomara que tenha para Mac).

Saudações às tietes,


DR Rock

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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