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DR Rock
O Napster, os camelôs e a pirataria nossa de cada dia
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(2a. parte)
Parece-me que a solução para estes problemas está razoavelmente próxima. Estamos num momento de
desequilíbrio que não durará muito, mas que deve se abreviado com todo o bom senso.
Em primeiro lugar, já se distingue a essência do trabalho intelectual da carapaça física que o cerca
ou suporta. A obra de Érico Veríssimo já não depende de papel. Pode perfeitamente ser adquirida
como informação lógica num arquivo, que pode estar no disco de um computador ou num CD. O dicionário
que uso, o Aurélio, o comprei na versão multimídia. Só não digo que o próprio já recebeu a parte
dele porque acho que já morreu, que Deus o tenha. Eu, de vez em quando, leio o Estadão na
Internet. Enfim, já não é preciso ter espaço físico ou pagar pelo suporte da informação (seja
papel, vinil, CD, DVD ou o que seja) e por toda a logística que o cerca. Esse "o que o cerca" geralmente
é muito maior que a essência do que desejamos, e nos vemos geralmente comprando papel, plástico,
propaganda e distribuição só para termos acesso ao conteúdo. É exatamente como a maior parte dos
alimentos industrializados. Por melhor que seja a qualidade do alimento ele custa uma parcela ínfima
do preço do produto.
As mídias mais modernas barateiam escandalosamente todo o transporte da informação, e são uma opção
física tremendamente viável (e de possibilidades até há pouco insonháveis) para pessoas ou bibliotecas.
Sinto dizer, mas os livros dos meus avós e dos meus pais que acabei de pegar na mudança da Mamma são
mais itens de de decoração e coleção do que instrumentos de desenvolvimento cultural-intelectual.
É até possível que algum dia já não se pague pela promoção, distribuição e pela mídia do produto, mas
que se compre apenas o conteúdo e nós mesmos decidamos qual o melhor meio para armazenamento.
Em segundo lugar, há um problema de mercadologia e economia. Sobre a ótica econômica é preciso lembrar
que, num mercado competitivo, um preço alto não assegura lucros. As empresas competitivas devem,
teoricamente, operar onde o preço é igual ao custo marginal de produção. Ora, qualquer preço superior,
mesmo que dê lucro, ainda dá um lucro inferior ao obtido cobrando o custo marginal. E se a empresa
opera, transitoriamente (pois não há monopólio que dure, neste mundo), numa situação de privilégio,
deveria atentar à política da empresa que mais lucrou com monopólios no século passado. As empresas
Rockfeller, muito inteligentemente, sempre protegeram os seus monopólios evitando praticar preços
extorsivos ou políticas de desabastecimento. A regularidade de abastecimento e os preços a longo prazo,
que imitavam uma situação de "quase concorrência", virtualmente bloqueavam a entrada de competidores.
Enfim, às vezes manter o preço baixo dá mais lucro.
O aspecto mercadológico me parece bem claro. Não é só o Brasil que tem população de baixa renda. A
grande maioria da humanidade (99%, segundo o parecer de um email desses que correm por aí) é tão pobre
que nem tem acesso a um computador. Produzir para rico é pensar pequeno! O bom mesmo é poder abastecer
a Índia, a China (ou toda a Ásia) e toda a África. Já pensou em um bilhão de chineses cantando as
músicas do Djavan ou do Tom Jobim? A nossa balança comercial ia enlouquecer!!! E eu, que sou do povo,
consigo comprar um CD virgem por R$ 1,00. É só vender a R$2,00.
Bom, quem for a favor de valorizar os direitos autorais mande uma mensagem ao meu editor pra que ele
me dê um aumento!
Até mais…
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DR Rock
As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.
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