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DR Rock
Alquimistas, graças a Deus
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Desgraça!!!! Morreu Jorge Amado!!!!!!! Alegria, alegria, o trono está vago...
A vida parece ser assim mesmo. Minutos após a morte de uma celebridade já se começa a encaminhar as coisas. E está certo, é preciso dar seguimento às nossas existências. Talvez seja exatamente essa a razão do surgimento dos funerais e do luto regulamentar de xis dias. Observem que as pessoas nem bem sofrem de fatalidades e já começam a espalhar piadas por aí...(lembram das do Senna? E olhem que a comoção foi nacional!)
E veja que problemão esse nosso gigante da literatura nos deixa: como preencher com propriedade o espaço que fica vago nas letras, no folclore, no efeito simbólico e da diplomacia cultural de um Brasil reconhecido mundialmente pelo que é de mais autêntico e incensurado, e como se não bastasse (e, puta que pariu, devem estar dizendo...) quem é que a gente põe na poltrona vaga da Academia???????
É certo que a Zélia seria a opção politicamente correta. Além disso, não lhe faltam o reconhecimento artístico, o merecimento pela obra e até mesmo aquele carinho que fica pela pessoa que sofreu mais de perto a perda do gigante. Mas eu queria propor aqui uma óptica diferente. A óptica do marketing, no seu melhor sentido, ou melhor ainda, do pragmatismo!
O maior fenômeno de marketing da literatura brasileira delicadamente (e politicamente) declarou que não era candidato à poltrona. Será que ele não merece, ou melhor, será que nós não merecemos? Afinal de contas, e peço as minhas desculpas à Sra. Zélia, mas ele hoje causa mais repercussão e promove mais o Brasil do que ela.
É fato, aliás, que o que ficará da nossa literatura neste século que passou está muito mais para Paulo Coelho que para Coelho Neto, ou Austragésilo de Athayde, ou Zélia e até mesmo (e me perdoem por dizer isso...) por Jorge Amado. Por mais injusto que pareça.
Para os que reclamam que ele não nos oferece os mais delicados requintes permitidos pela flor do Lácio, eu rebato que estamos na era do Mc Donalds, serviço aceitável por um custo módico. Vale mais ao mundo (procurem o balanço da empresa) do que a Haute Cuisine como um todo - consolemo-nos, daqui a pouco far-se-á até fast food de Cock ao Vin. Mesmo que outros gênios da literatura possam oferecer mais em profundidade filosófica, em política ou em cirurgia estética, o fato é que o Mago escreve pro povo e o povo lê o Mago (lembrem, a bíblia foi escrita em aramaico, a língua do povão, e depois vertida ao grego e ao latim, o espanhol e o inglês de hoje). Nesta era de globalização, o mundo viu e se lembra melhor do Paulo Coelho do que de qualquer outro escritor brasileiro vivo. E não empossá-lo na Academia será de um esnobismo fútil. Desprestigiaria a Academia.
Mais que isso! A Academia (e o Brasil) precisam dele, mais do que ele precisa da Academia. Poderiam dizer assim: "Sabe, eu li um livro dum cara, um mulato que trabalhava de tipógrafo e começou a escrever uns contos, parágrafos curtos, quase telegráficos. Capítulos minúsculos...e olha, o cara era da ABL, sabe, aquela à qual o Paulo Coelho se juntou. Dizem que até foi fundador dela... bom, eu gostei, tem até uma Capitu, que nem na novela...". Espero estar sendo claro, ele venderia a literatura brasileira até para o próprio Brasil.
Além do mais, na metrópole (EUA) só se conhece um único escritor que nasceu e viveu nas maiores metrópoles brasileiras (Rio e Buenos Aires, rs...) que é ninguém menos que o Mago!
A França do Jorge Amado é muito chique e meu coração só não está mais em Paris porque ficou um pedação em Barcelona... e um pedacinho em Genebra. Eu escrevo agora ouvindo 'Solaar Pleure' (simplesmente animal!!!!! Leitores, exijam um dossiê do Mc Solaar urgentemente) e admiro a França porque foi historicamente o país (neo) latino mais desenvolvido de todos. Mas quem manda são "os home" mesmo... as comunicações mundiais são americanas e eles só podem eventualmente permitir a preservação ou preservar o que conhecem e gostam.
Até hoje somos lembrados pela Carmem Miranda com uma fruteira na cabeça, como andavam, e ainda andam, todas as mulheres por aqui. Ou o Caubi Peixoto cantando em espanhol "Toreador", na Oliûdi - sim, eu sou fâ dele, admito. Lembram? Não? Não interessa... o Brasil é aquilo, pois é aquilo o que se registrou. Lembrem-se de Goebbles, é só repetir suficientemente a mentira que... vira verdade.
Ao contrário, em se reconhecendo a vitalidade das letras místicas, e do passado musical, a academia ganharia em legitimidade, pois além do Ubaldo, ninguém mais lá é lido - na verdade, os mais lidos chegam a ser infligidos aos pobres alunos de primeiro e segundo grau. Ganharia publicidade mundial, faturando inclusive para os demais integrantes e, principalmente, para a divulgação da nossa cultura. Será uma mostra pública de maturidade e de isenção de preconceitos.
Afinal de contas, se o Bush é presidente... até eu podia ser da academia.
:oP
DR Rock
As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.
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