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Um Acorde

A salvação se chama Strokes?


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=umacorde¶m1=cln_umacorde002.asp" End If %> Capa original de 'Is This It?' Desde que a canção 'The Modern Age' do Strokes veio ao mundo e foi eleita pelo semanário britânico New Musical Express como 'Single of the Week', o mundo parece ter sido tomado por um frenesi há muito não visto na música pop. Antes mesmo de ter seu álbum de estréia pronto, a banda já arrastava milhares de pessoas para seus shows e as revistas especializadas passaram a lhes dedicar páginas e páginas. E, sinceramente, depois de ouvir o álbum de estréia 'Is This It', eu me pergunto o por quê de tanta agitação.

Só para ficar em alguns exemplos: o doo-doo-doo de 'The Modern Age' já foi tão usado no rock and roll que é de se espantar que possa ser motivo para alçar a canção a uma categoria fenomenal. Enquanto isso, o riff de 'Soma' nos remete direto ao iê-iê-iê - graaande novidade.

Talvez a recepção exagerada aos Strokes deva ser creditada mais a atual crise do rock, encurralado entre a mediocridade das bandas atuais e às enormes vendagens de artistas pop. Desde o Nirvana nada de novo surgiu para balançar as estruturas da música pop. O já quase defunto nu-metal não soube explorar com eficácia os caminhos que seus precursores - Faith No More e Sepultura - apontaram e caiu no conto fácil da auto-clonagem. As ditas duas maiores bandas de rock da atualidade, U2 e R.E.M., lançaram bons discos, mas nada que chegue aos pés do que já fizeram antes. E o metal... bem, o metal segue com sua crise tão eterna quanto a da economia japonesa.

Órfã, a primeira geração do terceiro milênio viu-se entregue às eternas armações do show business, sempre prontas para ocuparem estes espaços de entre-safra criativa. E dá-lhe boys e girls bands, rappers milionários, cantoras pop de voz sofrível e grupos de rock inexpressivos. É óbvio que qualquer um que conseguisse unir um certo talento musical com apelo pop seria imediatamente catapultado a "salvador da pátria".

Capa da edição americana de 'Is This It?' Esse cetro caiu na mão dos Strokes.

Mas, antes que você peça para algum cracker botar abaixo o site, melhor deixar claro que os caras são bons no que fazem. Seria idiotice dizer o contrário. Os músicos do Strokes são competentes, mas considerá-los revolucionários, um novo Nirvana, a tal "próxima grande coisa..." Vamos com calma, gente!

Banda formada pré-cataclismo Bug do ano 2000, a música do Strokes é um rock básico, claramente inspirado em Velvet Underground e Stooges, com uma levada pop. As guitarras de Nick Valensi falam alto na maior parte das canções. O baixo de Nikolai Fraiture e a bateria do competente brasileiro Fabrizio Moretti (que começou a tocar aos cinco anos de idade!) aliados ao reforço do segundo guitarrista Albert Hammond, formam uma cozinha perfeita - o que não se via desde a época dos Smiths. A voz de John Casablancas (filho do dono da agência de modelos), algo entre Lou Reed e Iggy Pop, catalisa a rebeldia juvenil que parece ter recrudescido neste início de milênio. Casablancas brinca com sua voz, variando-a em diversos momentos, enquanto suas letras exalam amor adolescente sem ser piegas.

Enfim, o Strokes vale mais pelo que representa para o futuro do rock. Um retorno à garagem, a um rock básico e sem firulas. De qualquer modo, seu sucesso - ou seu fracasso - abrirá novamente as portas das gravadoras para diversas bandas jovens, ainda que poucas sinceras, mas de onde pode surgir algo relamente inovador.

Em tempo: o disco de estréia do Strokes, 'Is This It?', será lançado no Brasil no dia 25/09. A BMG só não definiu se será com a capa original ou a alternativa que sairá no moralista Estados Unidos (as duas estão reproduzidas acima).

Por aqui vou ficando,



Cláudio Mayer

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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