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Um Acorde

80s ou oitentista?


<% If sIdentif = False Then Response.Redirect "http://www.radarmagazine.com.br/radar.asp?pagina=umacorde¶m1=cln_umacorde003.asp" End If %> Vocês assistiram aos primeiros capítulos da segunda temporada de '24hs', do canal Fox? Está simplesmente de tirar o fôlego. Ok, não tem mais aquela originalidade, mas o autor da série aproveitou o trauma do final da primeira temporada e converteu o super-homem patriota Jack Bauer no mais frio e calculista Batman! De fazer perder a cabeça, literalmente.

Ou seja, não se trata simplesmente de um programa recauchutado para aproveitar o sucesso da primeira estória (como deverá ser a segunda temporada da 'Família Osbourne'). Pelo menos até aqui, todos estão bem mais sombrios e violentos - até mesmo o bonzinho e compreensivo Presidente dos EUA. É se aproveitar o que deu certo para evoluir e (re)criar o interesse do público pelo seriado.

Esse mesmo tipo de estratégia - a recriação do velho para parecer novo - é algo que sempre marcou a história do rock desde que os primeiros acordes dos Beatles e Rolling Stones inauguraram o primeiro embate de astros da música na grande mídia, para a diversão dos fãs mortais. E o ciclo se repete mais uma vez neste início de século. Diversas bandas começam a se voltar para os meados e final dos anos 80 criando um "movimento" musical que vamos chamar, por falta de um nome melhor, de oitentista.

Membros desse movimento relêem idéias, melodias, harmonias, numa tentativa de apresentar ao público algo "novo" que difira da reinante melancolia inglesa e do rap-rock e nu-metal americano. Nesse balaio encontraremos diversos estilos, do punk incorpado pelo The Hives e Strokes, ao technopop de um Ladytron (que tem ecos de Depeche Mode) ou de um Roysopp (inspirados em New Order), passando pelas guitarras dos bunnymen bastardos do Interpol, e chegando ao nervosismo nirvaniano do The Vines (ok, Nirvana está mais para representate dos anos 90...)

Mas o que importa é que todos os acima citados (e outros tantos não mencionados) buscam antes de tudo não serem meras cópias do som feito nos anos 80, mas antes se inspiram neles para criarem um novo som.

Enquanto isso, no Brasil, temos um movimento que parte do mesmo ponto mas que segue caminho diametralmente oposto. Ao invés de usar os anos 80 como inspiração, tenta-se resgatar literalmente os anos 80, isto é, as bandas, o visual, os álbuns, as faixas esquecidas. Casas noturnas se orgulham de anunciarem suas noites dedicadas ao período, com muito Depeche, Cure, Smiths, Echo, Bomb the Bass, C & C Music Factory rolando nas pistas. As rádios tocam a exaustão velhos sucessos de Capital Inicial, Barão Vermelho, IRA!, Paralamas do Sucesso, Cássia Eller, sem esquecermos do ad eternum Legião Urbana - sucessos de 20 anos atrás! - em "novas" versões acústicas, ao vivo, retrabalhadas.

Portanto, não se trata de um "movimento oitentista", mas sim "anos 80". E o que é pior, muitos roqueiros dessa época mergulham e apóiam fervorosamente o congelamento desse tempo, alegando que não houve melhor época, em todos os sentidos. Pobres Beatles e Rolling Stones que nasceram nos infrutíferos anos 60. Os anos 70, então, assistiu apenas a um movimento sem sentido na música e comportamento meramente chamado punk. E quem quer saber de fósseis de bichos-grilos e canções de protestos? Dos mortos-vivos do hard rock, glam rock (ei, tem alguém aí?), do surf rock, do psichobilly?

Parece que o estado reinante é a da preguiça em buscar algo novo, de deixar nossos ouvidos mofando em álbuns pré era digital. Por que sair navegando pela Internet para nos defrontarmos com Onno, Homens do Brasil Vega, Efeito Garage, Thee Butchers' Orchestra, Cachorro Grande? - nomes que apontam novos velhos caminhos para o estagnado rock brazuca.

Essa pessoas se esqueceram que se recusaram a ficar cultuando velhos ídolos. Partiram em busca da novidade, fizeram explodir o B-rock, ajudaram a construir e marcar uma época. Vinte anos depois, enterraram seus jovens espíritos e chafurdam no sofá da sala enquanto as pedras continuam rolando indiferentes por debaixo de sua janela. "Como nossos pais".



Cláudio Mayer

As opiniões aqui contidas representam apenas a posição do seu autor e não necessariamente da Radar Magazine.

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